UM ÔNIBUS DE DUAS CARAS

Os transportes coletivos limpos sempre foram uma busca de países desenvolvidos e das principais fabricantes de veículos. São ônibus, bondes, monotrilhos e trens que tentam aliar conforto, eficiência e alta capacidade de atendimento.

Na feira de transportes de Hannover de 1981, a Mercedes-Benz apresentou um trólebus biarticulado, no mínimo curioso. Era o monobloco O 305G2.

Um dos objetivos era unir a praticidade dos ônibus com as operações ferroviárias. O veículo tinha duas articulações, capacidade para 238 passageiros e os dois motores elétricos, que recebiam a energia da rede aérea e rendiam 250 kW cada um.

O trólebus tinha guias laterais em trilhos e tinham duas dianteiras como se fossem trens.

Segundo o site alemão da Mercedes-Benz era a introdução do “O-Bahn” nos ônibus.

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De acordo com o pesquisador de transportes, Francisco José Becker, o fato de o veículo não poder circular fora do trajeto exclusivo acabou desmotivando a continuidade dos testes

O modelo batizado de Mercedes-Benz O 305G2 tratava-se de um protótipo bidirecional preparado para andar em pistas com guias laterais. Ele possuía 4 eixos (dois na primeira e dois na segunda composição) e dois motores elétricos e portas em ambos os lados. O fato de ser bidirecional, somado a forma da distribuição das portas e a ausência do volante, deixaram o O 305G2 com aparência de um ‘bonde sobre rodas’ e ironicamente o modelo não poderia rodar fora da guia com trilhos. Por este motivo após um ano de testes o mesmo seria abandonado.

Mas a solução trouxe legado.

Ônibus elétricos com guias laterais foram adotados em diversas partes do mundo, inclusive atualmente ainda circulam.

O Brasil só não teve esta solução por causa das dificuldades políticas e da falta de transparência no trato com dinheiro público. O projeto original do Fura Fila, promessa de Maluf e Pitta apara a Capital Paulista, contemplava trólebus biarticulados com as guias, o que garantiria uma característica de metrô aos serviços e também mais eficiência. Vale lembrar que o trajeto do Fura Fila completo equivale ao atual trecho do Expresso Tiradentes e o monotrilho 15-Prata, que depois de cinco anos da primeira data prometida para a entrega, só tem 2,3 quilômetros em funcionamento  dos 26,7 quilômetros de extensão do projeto.

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O Fura Fila. Solução tecnológica que depois de promessas políticas e falta de transparência no uso do dinheiro público nunca saiu do papel

Fonte: Blog Diário do Transporte