FABRICANTES APOSTAM EM ÔNIBUS MAIORES PARA ATENDER Á DEMANDA DO MERCADO

No começo do ano, a gaúcha Marcopolo – maior fabricante de ônibus do mundo – lançou o que talvez seja o produto mais inovador de sua história: um ônibus de dois andares com quinze metros de extensão – um a mais do que o modelo que já era fabricado. A inovação, porém, não vem somente com o intuito de surpreender quem cruza com um gigante deste nas estradas, ou ainda satisfazer os olhares dos busólogos, os admiradores de ônibus. Ela tem um motivo bem concreto que vem do lado econômico: um ônibus maior permite transportar mais passageiros e, consequentemente, pode reduzir os custos das empresas operadoras.

Aliás, foi delas – as empresas – que vieram os pedidos para o desenvolvimento de um ônibus maior. Os transportadores citam dois motivos principais para tais pedidos: a mudança em leis que aumentaram de três para sete o número de assentos que devem ser reservados gratuitamente a idosos, deficientes físicos e estudantes de baixa renda; e uma medida que obriga a instalação de plataformas elevatórias para cadeirantes em todos os veículos. Tendo que cumprir essas exigências sem uma contrapartida financeira dos governos, as empresas teriam que onerar mais os assentos restantes (bem menos) dos ônibus convencionais, o que implicaria em um aumento dos valores cobrados no curto prazo.

Este aumento poderia comprometer a demanda de passageiros. O ônibus maior foi, portanto, a saída encontrada. Ele, porém, não é uma novidade por inteiro. A Marcopolo já o produzia para o mercado externo – as três pincipais montadoras de chassis do mercado nacional, Mercedes-Benz, Scania e Volvo, também – mas a faltava a homologação da ANTT  no Brasil. Ela veio em março deste ano, abrindo espaço para a comercialização em todo o país.

Segundo dados divulgados pelo “Pequenas Empresas & Grandes Negócios” o ônibus de quinze metros custa R$ 1 mi por unidade, ante R$ 900 mil do modelo similar de 14 metros. A diferença é muito pequena e compensa para o frotista, diante dos benefícios extras que ele terá. Entre eles, o principal é a flexibilidade – com mais espaço, fica mais fácil oferecer dois serviços em um mesmo ônibus: o executivo, com poltronas reclináveis em até 45°, e o leito, que seria a primeira classe do ônibus, contando com assentos mais largos e que podem reclinar até 180°, se tornando uma verdadeira cama.

Algumas empresas já foram as compras e operam algumas unidades do novo ônibus de quinze metros. A Scania, segundo informou ao “Pequenas Empresas & Grandes Negócios”, já vendeu 152 unidades de chassi adaptadas ao novo modelo. Destas, pelo menos quatro foram destinadas à pernambucana Auto Viação Progresso, os quais a PEOC trouxe em detalhes para o público em primeira mão. Outros operadores dos segmentos rodoviário e turismo também já se interessam pela novidade